Writing: my favourite kind of meditation

Meditar. Diz-se por aí que meditar está na moda. De repente, o mundo está cheio de palavras como "mindfulness", as livrarias estão cheias de livros onde se pintam mandalas e a loja de aplicações dos nossos telemóveis sugere-nos várias vezes por dia para que façamos o download de uma app que promete desligar o nosso cérebro e, assim do nada, levar-nos ao nirvana.
Nunca fui grande fã daquele tipo de meditação em que nos pedem para fechar os olhos e apenas estar ali. Há muitas pessoas que pensam que tenho uma prática de meditação diária, porque pratico yoga, mas não tenho. Às vezes, sim, apetece-me apenas "existir", sentada no chão, de pernas cruzadas ou deitada no tapete. Mas é raro. Eu encontrei outras formas de meditação que funcionam melhor para mim.
A verdade é que cada pessoa funciona de maneira diferente: há quem goste de pintar mandalas, há quem medite enquanto faz jardinagem, há quem prefira meditações guiadas, há que não queira sequer ficar em silêncio. E, claro, está tudo bem. Não é preciso comprarmos CDs, livros, aplicações que nos ensinem a meditar. Nós somos capazes de encontrar as nossas próprias formas. Bem dentro de nós. Faz o que for melhor para o teu coração. 
Hoje, quero falar-vos da minha prática de meditação preferida: escrever.
Desde que me lembro que me expresso muito bem através de um papel e de uma caneta. Não construo frases muito elaboradas nem obras literárias magníficas, mas consigo deitar cá para fora o que vai no meu coração e na minha cabeça através das palavras. E essa foi a forma que eu encontrei de organizar os meus pensamentos e conseguir estar calma. Quando algo de menos bom se passa, quando a minha cabeça está a mil, quando o meu coração não sossega, escrevo.
Quando era mais nova, tinha milhares de cadernos espalhados pela casa onde escrevia: contos, frases, palavras, cartas. Hoje, ainda tenho os meus sítios secretos onde escrevo: agora dentro de malas de viagem ou na estante do quarto. Escrevo para mim e muitas vezes escrevo para os outros, quando as palavras me entopem a garganta. Antigamente, esgotava até os caracteres das mensagens nos meus telemóveis e enviava mensagens partidas para não se transformarem em MMS. 
Escrevi em cinco ou seis blogues diferentes e agora escrevo neste. Escrevo em aviões, quando consigo ver o mundo de cima. Escrevo à noite, de manhã e, às vezes, até de madrugada, com um olho meio aberto e outro fechado. Os dias em que mais escrevo são os dias em que mais consigo sossegar o meu coração. E é por isso que sei que esta é a minha melhor forma de meditar: deixo os pensamentos fluir do meu coração para o papel e, depois de muitas páginas cheias ou de apenas uma linha ocupada, respiro fundo, estico os braços e sinto-me leve. Capaz de voar. 



{Obrigada à Sónia por me relembrar do quão feliz me sinto depois de escrever.}

Let's get enlightened about ourselves


Há uns tempos, numa tarde de procrastinação, cruzei-me com um documentário chamado Enlighten Up. Não sou fã de documentários e, geralmente, nem paro para ler a descrição dos filmes deste género, mas desta vez foi diferente.
O documentário foi feito por um realizador que tinha um plano muito simples: escolher alguém e acompanhar essa pessoa numa viagem pelo mundo do yoga, até que ela descubra uma prática que a transforme completamente. E foi exactamente a pessoa que ele escolheu que me fez ficar presa ao ecrã: nada mais nada menos do que um jornalista. Ora, tendo eu estudado jornalismo e sendo apaixonada pela mundo do yoga, fiquei logo com a minha curiosidade no pico. Também eu quis fazer aquela viagem, também eu quis descobrir mais, experimentar mais. E ainda quero.

"A mente de um jornalista é igual à mente de um yogui: ambos querem sentir as coisas, ambos querem experimentar tudo, para provar que é verdade e não tomar como certo as palavras de outra pessoa."

A verdade é que cada um de nós encara a vida de uma perspectiva muito própria. Cada um tem a sua própria perspectiva de realidade. Mas, muitas vezes, somos, neste mundo, incitados a pensar como todos os outros. E isso tira-nos toda a experiência de viver. A verdadeira.
Por isso, hoje, convido-vos a viverem um dia através dos vossos próprios olhos. Com curiosidade. Com vontade de conhecer. Sejam os jornalistas das vossas vidas: investiguem esses sentimentos guardados dentro de vocês próprios e tentem encontrar respostas para as vossas perguntas. Quem sou eu? Porque me dói a garganta, será que deixei algo por dizer? O que é este peso no coração? Porque é que isto faz um sorriso nascer nos meus lábios? Para onde quero ir a seguir?

Sejam yogis: unam todos os bocadinhos perdidos dentro de vocês e descubram-se.

Com amor,
Joana


TORRE DE BABEL



Reza a lenda que, na Babilónia, depois do dilúvio, os sobreviventes (descendentes de Noé) tentaram construir uma torre muito alta — a Torre de Babel — com o objectivo de alcançar os deuses. Os deuses, claro, não gostaram da ideia: afinal de contas, nenhum comum mortal deveria aspirar a ser um deus. Como castigo por esta tentativa de chegarem ao céu sem serem convidados, os deuses, para além de derrubarem a torre, ainda fizeram com que todos os homens construtores começassem a falar línguas diferentes. Num momento, todos se entendiam perfeitamente. No momento seguinte, ninguém conseguia fazer-se compreender.
Por causa de tudo isto, hoje em dia, milhares de pessoas como eu enfrentam um desafio: aprender como nos expressarmos em outra língua.
Nunca me tinha dado conta deste facto até, há quase dois anos, mudar de país. Na altura, o meu primeiro trabalho aqui foi no serviço de apoio ao cliente de uma loja, maioritariamente frequentada por imigrantes. Durante um dia de trabalho (oito horas), ouvia milhares de vozes distintas, com sotaques carregados: britânicos, polacos, checos, romenos, portugueses, italianos, gregos, búlgaros, turcos. Durante uma semana de trabalho (quarenta horas), todos nós fazíamos um esforço para que, com os nossos diferentes sotaques, nos conseguíssemos entender.
Foi um desafio e tanto. Nunca fui uma aluna exemplar a inglês: sempre achei a língua aborrecida e nunca percebi porque é que o inglês é uma língua tão universal. Mas, desde que vim para cá, tenho melhorado a olhos vistos. Ou a ouvidos ouvidos. Se dantes não conseguia distinguir uma única palavra no meio de todo um discurso nesta língua estrangeira, hoje conto histórias, faço perguntas e até consigo dizer umas quantas piadas (acreditem, ter piada noutra língua custa horrores).
Em termos de aprendizagem linguística, os meses que trabalhei naquela loja foram os mais produtivos: durante os momentos de pausa do trabalho, eu e os meus amigos polacos, búlgaros, romenos e ingleses ajudáva-nos uns aos outros e desenvolvemo-nos e aprendemos mais sobre esta língua juntos. A nossa sala de pausa acabava por soar exactamente ao momento que precedeu o episódio da Torre de Babel: todos, em diferentes línguas, tentamos chegar a um consenso sobre como se fala numa língua só.
Com tantas conversas, quase dois anos depois, já me habituei aos sotaques diferentes: hoje, tenho amigos de toda a parte do mundo e, por causa deles, começo agora a dar os meus primeiros passos noutras línguas: sei contar até dez, dizer "bom dia", "adeus", "sim" e "não" e "obrigada" em polaco, sei que os números e o abecedário romenos soam da mesma maneira que os números e o abecedário portugueses e até já sei escrever algumas letras em grego. Pelo meio, aprendi italiano (especialmente, tudo o que tem que ver com utensílios de cozinha) e sei dizer "O meu nome é Joana. E o teu?" em árabe. Colecciono amigos de toda a parte do mundo e nada me faz mais feliz do que a nossa pequena Torre de Babel.
Aliás, se há coisa que este episódio da Torre de Babel me ensinou é que, no final de contas, o castigo não foi nada de assim tão grave: há sempre alguém que nos compreende, há sempre gestos que nos ajudam a sermos compreendidos e, acima de tudo, estas conversas em idiomas diferentes até nos desenvolvem o cérebro. Os deuses não são assim tão espertos. 

Começar a semana a agradecer


Tudo aquilo que damos ao mundo é-nos retribuído. Se o tratarmos mal, ele presentear-nos-á com dor, sofrimento, frustração. Se o tratarmos bem, a nossa vida fluirá com bem-estar. Por outras palavras, aquilo que cultivamos será aquilo que vamos colher. Mais que não seja, se não quisermos ver isto do ponto de vista da lei da atração, porque quando nos sentimos irritados e tristes fazemos com que a nossa visão fique turva, enervamo-nos, perdemos a calma e a racionalidade e bloqueamos. Que coisas boas conseguimos fazer quando nos encontramos neste estado? Nada.
Mas, quando cultivamos o bem dentro de nós próprios, quando nos preocupamos em compreender o nosso interior e o mundo que nos rodeia, quando olhamos para a vida com uma atitude positiva, conseguimos ter uma visão clara de tudo. Mesmo quando há algo que não nos corre bem, que não corre como nós desejávamos, que nos faz dar voltas de 180 graus, se procurarmos um porquê para o que aconteceu ter acontecido assim, se procurarmos uma lição a retirar, se nos preocuparmos em ser racionais ao invés de nos queixarmos, de nos maltratarmos e de maltratarmos o mundo, vamos conseguir encarar a nossa vida com clareza e tudo o que virá depois virá por bem. Cresceremos assim.
Este bem que deixamos que cresça dentro de nós chama-se gratidão. Quanto mais lhe damos, mais ela nos dá motivos para estarmos gratos por tudo o que temos. Quanto mais razões encontramos na nossa vida para estarmos mais gratos, mais razões vamos encontrando. Quanto mais vamos agradecendo, mais motivos nos vão sendo dados para agradecer. Porque estar grato é expressar aquilo que está dentro de nós: é expressar-nos verdadeiramente.
E eu estou grata por me poder expressar.

Hoje, precisava de escrever isto. Hoje, precisava de ler isto.

Com amor, 
Joana

Joana on the green path: going veggie

Há mais de um mês que ando a pensar em iniciar a minha rubrica Joana on the green path, mas decidi que não havia melhor ideia do que esperar até ao mês de Março. Afinal de contas, este é o mês em que voltamos a encher-nos de cores: começa a Primavera, os dias ficam mais longos, o sol brilha e as árvores vestem-se de flores. A energia pesada do Inverno começa a dar espaço aos sorrisos leves que crescem com o calor e, por isso, Março é, assim, o mês perfeito para vos levar neste meu caminho por uma vida mais verde. Desde que me inciei no mundo do yoga que, por acompanhar de perto muitos outros exemplos, estudar e ler muito, fui também alterando outros aspectos da minha vida. A prática de yoga deixou de ser algo puramente físico e levou-me numa descoberta sobre as mil e uma maneiras de tornar este mundo um lugar mais feliz, transpondo as maravilhosas mudanças que acontecem dentro de mim para o exterior. Porque me sinto bem e feliz tenho também vontade de fazer o bem. Com pequenos passos, como usar produtos naturais para limpar a minha casa ou deixar de utilizar sacos de plástico para colocar as compras do supermercado, sei que posso contribuir para um mundo mais verde e, consequentemente, para um maior bem-estar de todos nós que aqui habitamos. Esta nova rubrica é a minha forma de vos contar mais sobre este meu percurso de aprendizagem constante e de criar, aqui no On Being Joana, um espaço em que todos nós podemos partilhar informações interessantes e úteis sobre uma vida mais ecológica. Parece-vos bem?



Joana Goes Veggie - A Journey

Para começar este meu caminho, decidi contar-vos a minha experiência pelo mundo do vegetarianismo. Na verdade, já tinha tentado deixar a carne por completo quando vim morar para Londres, porque aqui há mil e uma opções vegetarianas em qualquer restaurante e a carne, digam o que disserem, não é assim tão boa. Mas a experiência correu um bocadinho mal. Foi demasiada alteração ao mesmo tempo: um país mais frio, menos sol, sem família e vegetariana de um dia para o outro? O meu corpo entrou em colapso. Tinha quebras de tensão todas as manhãs e andava mais do que cansada: estava completamente exausta. Na altura, vivia com uma senhora que é piscetariana (ou seja, come peixe mas não come carne) e ela aconselhou-me a recuperar primeiro e a ambientar-me a esta cidade e a todas as alterações que a minha vida estava a sofrer e ler bastante sobre o tema e só depois, com consciência e calma, fazer as alterações que pretendia. Foi exactamente isso que fiz: primeiro, deixei a carne vermelha e enchi o meu prato de verduras. Continuei durante um ano a consumir carne branca e peixe. No início de 2017 senti-me preparada para tal e deixei de comer carne por completo. Neste momento, só como peixe. Já passaram dois meses desde esta grande mudança e, até agora, nunca me senti mal nem exausta nem tão pouco tive quebras de tensão. Sinto-me bem e, sobretudo, sinto-me feliz com a minha decisão. Ouço muito o meu corpo e deixar de comer carne foi uma consequência disso mesmo. Sinto-me melhor quando como alimentos de cores vivas e de sabores fortes que estimulam todos os meus sentidos. A carne, obviamente, não entra nesse grupo de alimentos. Sentir-me tão bem ao comer alimentos tão ricos e cheios da maravilhosa essência da Mãe Natureza fez-me compreender que esse é o caminho a seguir: sem justificações e grandes questões. Respirando. Respeitando o meu corpo. Porque tudo é um caminho. E porque esse caminho é para ser feito apreciando todos os seus altos e baixos. Com calma. Sei que, aos poucos e poucos, vou descobrindo cada vez mais alternativas saudáveis para este meu novo estilo de vida: porque, ao contrário do que se pensa, ser vegetariano nem sempre é ser mais saudável (sim, envolve grandes quantidades de hidratos de carbono!). E sei que, a pouco e pouco, vou ouvindo cada vez mais aquilo que o meu interior me conta. Por onde ir a seguir? Que melhorias fazer para estar mais perto da minha essência? O tempo responder-me-á. O importante é que tudo seja feito com equilíbrio, porque é equilíbio que quero para a minha vida.


Quem é que, por aqui, também faz dos legumes os seus melhores amigos? Quais são as vossas receitas preferidas? Quais os alimentos que não dispensam no vosso dia-a-dia? Quero ouvir a vossa experiência e partilhar aprendizagens e ensinamentos. Contem-me tudo!

Com amor, 
Joana

ACMA | SENTIMENTOS

Uma das grandes resoluções para o ano de 2017 é abraçar novos projectos: projectos que me façam sentir realizada, apaixonada, capaz. Projectos que mê dêem vontade de ligar o computador, pesquisar e escrever. No fundo, projectos a que tenha vontade de me dedicar de coração. Por isso, há umas semanas, entrei em contacto com a simpática Ju, do blogue Cor Sem Fim, e perguntei-lhe se podia participar no seu maravilhoso projecto: A Cultura Mora Aqui (ACMA). 



Ora, o que é isto do ACMA? Acho que posso afirmar com certeza que todos nós, de uma maneira ou de outra, sentimos, pelo menos uma vez na nossa vida de atarefados bloggers, que há muito mais interacção em blogues de moda e lifestyle: estes são os blogues mais lidos, mais vistos e aqueles que conseguem fazer quantidades exorbitantes de dinheiro através de artigos patrocinados e histórias que tais. Pois bem, o ACMA pretende romper com a corrente e trazer mais cultura para a blogosfera. Aqui há espaço para cinema, música, livros, séries e tantas outras coisas interessantes que preenchem o nosso dia a dia. Porque nem tudo tem de ser sobre sapatos e maquilhagem.

Interessante, hein

Em cada mês há um novo tema de que os participantes falam. Para este mês de Fevereiro, o mês do amor e o mês da minha primeira publicação para o ACMA, nada melhor do que escrever sobre SENTIMENTOS.

Para mim, o que mais me fascina neste tema não é só a pluralidade de sentimentos que habitam os nossos dias e, no geral, a nossa vida, mas sobretudo a forma como esses mesmos sentimentos chegam até nós e nos agitam, nos estimulam e nos fazem sentir. (Quem já me lê há muito tempo, sabe que "sentir" é, provavelmente, a palavra mais usada nos meus textos.)

Se nos mantivermos atentos, há tanto sentimento a cada segundo: a raiva, a paz, a tristeza, a dúvida, a felicidade, a amizade, o amor. Tanto amor. E todos eles nos chegam de todo o lado: uma mensagem de boa noite, um carinho, um sorriso de um estranho, uma pergunta colocada no momento certo, uma palavra ríspida de alguém de quem gostamos ou de quem não gostamos nada, uma frase perdida num livro que lemos, um acorde de guitarra da nossa música preferida.

E depois há aqueles sentimentos inesperados que nos caem do céu através das formas mais estranhas: aquelas onde nunca pensámos encontrá-los.


Há menos de um mês, decidi passar um domingo enfiada em Brick Lane. Brick Lane é um dos sítios mais bonitos de Londres: fica no este da cidade e destaca-se pelas suas lojas de roupa vintage, os seus alfarrabistas carregados de palavras antigas, os restaurantes de muitas partes do mundo, e, sobretudo, pelos milhares de graffiti que cobrem cada centímetro das ruas. Foi exactamente aí que percebi a quantidade de sentimento que a arte urbana carrega. Decidi acompanhar uma excursão pelas ruas e deliciar-me com as explicações da simpática guia francesa. Não decorei o nome dela (vamos chamar-lhe Julie), mas a paixão com que falava de cada stencil, de cada tag, de cada pintura deliciava qualquer um. Apaixono-me pelas paixões dos outros e foi isso que aconteceu ali: ao ver os graffiti pelos olhos da guia francesa compreendi um bocadinho mais sobre arte e descobri que há sentimentos escondidos em cada pincelada. 


Os artistas de rua, os graffiters, afirmam destacar-se dos vândalos porque arriscam-se em nome da sua paixão: não pretendem colocar o seu nome nas paredes, mas sim incitar ao debate, fazer pensar, desafiar as regras de uma sociedade organizada. É isto que Brick Lane nos transmite: em cada parede há uma questão a ser colocada, em cada tijolo há um desenho que nos faz pensar, em cada stencil uma sensação que nos percorre a espinha e, muitas vezes, deixa-nos com pele de galinha. Caras de políticos que se beijam na boca, uma despedida sentida a Prince, o monstro do capitalismo que devora moedas. Raiva, coragem, frustração, nostalgia. O abstracto a tomar forma e a ganhar cor. 


Julie falou-nos de Milo Tchais, um artista brasileiro, de Otto Schade, chileno, e de Ben Slow, britânico. Contou-nos as histórias de cada um e de muitos mais graffiters. Falou-nos de conversas que tiveram, de histórias que partilharam, de pinturas que fizeram e da forma como cada um deles ama aquilo que faz. Irreverentes. Livres. Sem medos. Os olhos brilhavam-lhe enquanto falava. 


Enquanto seguia a excursão, apreciava cada obra de arte e compreendia: o verdadeiro significado de cada graffiti eu nunca vou saber. Cada um deles esconde-se atrás de um manto de subjectividade. Aquilo que vejo em cada pedaço de cor é o que eu sinto dentro do meu coração: é aquilo que tenho dentro de mim. Um graffiti é, por isso, um espelho: um espelho que racionaliza aquilo que me faz sentir, um espelho que me ajuda a compreender os meus pensamentos mais profundos. O graffiti é, assim, uma viagem pelo interior de cada um de nós. 


E não será esse o objectivo final da arte? Compreender. Descobrir. Supreender. E, mais do que tudo, sentir. 


Blogues Participantes 


Blogues & Youtube Convidados


E tu? Também gostavas de participar neste projecto? Se a resposta for positiva, então não esperes mais: envia já um e-mail para a Ju, através do correio electrónico corsemfim@gmail.com. Já sabes, não falaremos de moda nem acessórios, mas daremos banhos de cultura ao mundo dos blogues e bloggers. Ah, muito importante: se és Youtuber não te acanhes. Também tu podes participar neste projecto! 


As pessoas que não são nossas


Acredito que todos aqueles que se cruzam connosco, ao longo desta nossa vida, aparecem com um propósito e ficam exactamente o tempo necessário para nos ensinar uma lição ou para nos levar até ao próximo patamar do nosso caminho. Há quem fique para sempre e há quem apenas nos acompanhe durante breves segundos, instantes onde trocamos olhares que falam sem voz. Seja como for, mais cedo ou mais tarde, descobrimos o propósito de cada pessoa, o porquê de ela ter aparecido - mais ou menos de surpresa. Demorou até que me apercebesse disso: há coisas que, provavelmente, só nos damos conta de que são como são com o passar dos anos. Já chorei muito por ver alguém partir, desaparecer da minha vida sem deixar qualquer rasto. Por vezes, a tristeza era tão grande que tentava a todo o custo voltar atrás no tempo, impedindo a pessoa de ir embora. Por causa disso, sei que levei muita gente à exaustão. A verdade, é que o apego e a dependência eram de tal modo fortes que, acreditava eu, não conseguiria sobreviver sem determinada presença no meu dia-a-dia. Um dia, depois de muitas lágrimas e de um coração constantemente em sofrimento, com medo de perder mais alguém, dei-me conta de que quanto mais forçava a presença de alguém na minha vida, mais sozinha me sentia, menos longe chegava, menos feliz estava. Lembro-me exactamente do momento em que, perdida nestes pensamentos, me propus a um desafio. Aconteceu durante uma viagem de barco entre o Barreiro e Lisboa, bem cedo, antes das aulas. Estava no final do primeiro semestre do primeiro ano da faculdade e sentia que tinha perdido todos os meus amigos, um namorado de quase três anos e, acompanhando a minha mudança de cidade, até a minha identidade tinha ido pelo cano abaixo. Mas, afinal, que desafio foi este? Simples: em apenas 25 minutos, a duração da travessia do Tejo, fiz uma lista de todas as pessoas que tinham passado pela minha vida, que eu achava que tinha perdido, e, em vez de as ver realmente como uma perda, escrevi à frente do nome de cada uma todas as coisas boas que trouxeram à minha vida. Fi-lo intuitivamente: não pensei que este pequeno desafio me levasse tão longe. Depois disso, foi mais fácil aceitar a partida de cada uma delas. Diria mesmo que - reconheço agora - foi nessa altura que perdoei muitas delas e me perdoei a mim também. Demorou até interiorizar os ensinamentos que esse dia me trouxe: foram precisas muitas mais decepções e lágrimas, muitas aulas de yoga para retirar o peso de cima dos ombros, muitas meditações em que a minha garganta se ressentia por todas as palavras que tinham ficado por dizer. Foi preciso uma viagem para um país estrangeiro. Sentir-me sozinha e perceber que a vida é um conjunto de surpresas felizes. Foi preciso, talvez até, chegar aqui. Ao momento presente. Ao momento em que escrevo estas palavras. Talvez ainda não tenha entendido completamente o significado que esse dia teve para mim. Talvez precise ainda de muitas mais listas, cheios de nomes de vidas que se cruzam na minha. Talvez seja uma apredizagem constante. Mas fica cada vez mais fácil: fica mais fácil quando percebemos que as pessoas não são nossas. Quando compreendemos as mensagem que cada uma delas nos traz. Quando olhamos para o passado e descobrimos que, sem elas, nao estaríamos aqui, mas que, ainda com elas, também não tínhamos chegado. Hoje, já não choro. Mas ainda dói quando me dou conta de que o tempo não volta para trás. Mas será que queria realmente que voltasse? Sei que não. Sei que todos os que saíram não deixaram de fazer parte de mim. Sei que carrego comigo um pedacinho de cada ensinamento por eles deixado. E sei que é porque uns partem que outros chegam, para abrir novas janelas dentro de mim e me dar a conhecer novos tons de cores que antes não conseguia ver. Por isso, agradeço: aos que foram, aos que ficam, aos que chegam e àqueles que ainda hão-de chegar. Porque a vida não traz nem leva nada que não estamos preparados para receber ou deixar ir. Porque nada acontece por acaso. 

Com amor,
Joana


De volta ao tapete, com o coração cheio de amor

Ainda na última publicação vos contei o quão difícil tem sido praticar yoga desde Março do ano passado. Nem sempre foi assim. Comecei a minha viagem pelo mundo dos asanas (posturas, em sânscrito) em 2010, em casa, praticando com o auxílio de vídeos que ia encontrando na internet, mas só em 2013 encontrei a pessoa certa para me ensinar realmente aquilo que há para além dos adho mukha svanasana (ocidentalmente conhecimento como cão que olha para baixo) e das chaturanga dandasana (ou, em português, flexões). A Marina, a minha eterna professora do coração, desafiou-me, ensinou-me a sentir o meu corpo e ajudou-me a descobrir tanto daquilo que sou. Por causa dela, conheci outras professoras fantásticas que tornaram este meu caminho num caminho de mais amor: um amor muito feliz. A BJ Galvan, a Susana Garcia Blanco, a Meghan Currie, a Jessica Green, a Reyes Sanchez e tantas outras almas bonitas e cheias de luz.


Como qualquer criança quando começa a aprender uma coisa nova, ou a descobrir dentro de si o seu potencial, eu andava nas nuvens. Queria conhecer tudo. Chegar sempre mais longe. Ultrapassar os desafios das posturas e da mente. Li, pratiquei, escutei, senti. Todos os dias um bocadinho mais. Entre 2013 e 2015, quanto mais escavava mais encontrava: foi uma descoberta pessoal, essencialmente, mas também foi uma descoberta de como podia utilizar o meu coração para viver com os outros, para aproveitar este mundo e tudo aquilo que ele me pode dar. Se olhar para trás, recordo-me desses dias como dias cheios de sol. De sorriso nos lábios.


Claro que nem todos os dias foram assim: às vezes, também sentia que o meu cérebro não me deixava ir mais longe, que se criava um bloqueio tão grande na minha garganta que até o simples acto de respirar se tornava difícil. Mas tinha consciência de que o meu coração estava apenas a libertar-se de tudo aquilo que o prendia: os medos e os momentos menos bons que se foram acumulando ao longo dos anos. No fundo, estes desafios eram, para mim, apenas a casca dura que construí à minha volta, como escudo de protecção, a partir-se.


Em 2015, depois de tirar um curso de yoga para crianças, de me mudar, de malas a abarrotar de esperança para um novo país e de conhecer a famosa Yoga Girl, simplesmente parei. Não estendi o tapete durante tanto tempo. Revoltei-me comigo mesma, primeiro por não conseguir juntar forças dentro de mim para simplesmente me sentar a ouvir o meu coração e depois porque comecei a duvidar da minha capacidade para voltar a fazê-lo alguma vez na vida. Entre Agosto de 2015 e Março de 2016, a prática foi intermitente. E nem sequer foi uma prática espiritual. Foi uma prática puramente física. Na maior parte das vezes, o objectivo não era mais do que tentar aliviar a dor que sentia nas costas ou tentar não perder os meus abdominais definidos. Hoje, olhando para trás, sei que esta curva no meu caminho enquanto yogini não foi mais do que resultado de ter deixado de gostar tanto de mim, de nutrir este amor próprio, de me valorizar. A base das minhas decisões deixou de ser o amor e passou a ser o medo: o medo de não ser suficiente. E, por causa disso, o tapete ficou arrumado a um canto.


O Yoga é um caminho. Um caminho de crescimento pessoal. Uma viagem por dentro de nós próprios. Uma união daquilo que somos com o nosso corpo físico. E, às vezes, nesse caminho há curvas, contracurvas, momentos em que nos questionamos sobre o seu verdadeiro significado. No fundo, acredito que a esses momentos se seguem momentos de grande expansão interior. E é exactamente isso que o meu coração vive neste momento: estou pronta para regressar. Estou pronta para aceitar o medo e responder-lhe com amor. Estou pronta para encarar todas as possibilidades magníficas que esta aventura comporta. E estou pronta para aceitar as respostas às questões que coloco ao longo do meu caminho. De sorriso nos lábios, porque o sorriso é a expressão mais pura daquilo que verdadeiramente sou. Somos.

Com amor, 
Joana

3 livros para ler este ano

Adoro comprar livros. Gosto de os ter na mão, de folheá-los, de me encher de expectativas. Gosto do os trazer para casa e de me sentar, acompanhada de um bom chá, a lê-los. Adoro seguir as aventuras das personagens, inspirar-me com frases simples, deliciar-me com ensinamentos preciosos. Sou assim desde que me conheço. Antes mesmo de saber ler, eles andavam sempre comigo: imaginava histórias através das imagens. Foi assim que cresci. Rodeada de livros. Leio no metro, à espera de uma consulta, antes de adormecer. E é frequente ler mais do que um livro ao mesmo tempo. Neste momento, por exemplo, O Livro do Hygge, The Silk Roads, As Primeiras Coisas e As Três Vidas são os livros que me têm acompanhado para todo o lado: consoante o estado de espírito, decido qual deles vai andar dentro da minha mala em determinado dia. Mas também há algo que tenho tentado fazer: dar-lhes uma nova casa, assim que acabo de os ler. Não só eles merecem ser partilhados como eu posso arranjar espaço para que outras palavras cheguem até mim. Deixo-os em autocarros, bancos de jardim ou à porta de casas. Por isso, se encontrarem um livro com uma mensagem dentro dele, de mim para vocês, não estranhem: levem-no convosco. Para além disso, em 2017, arranjei outra solução para a minha febre dos livros: em todos os outros anos, fiz uma lista interminável de livros que queria ler e acabei por cosnseguir ler apenas uma pequena parte. Síndrome de ratinho de biblioteca. Por isso, este é o ano de prioritizar. Escolhi três, sim, três!, livros que tenho - obrigatoriamente - de ler. Escolhi-os porque ou já me falaram muito bem deles ou eu tenho a sensação de que me fará muito bem ler. É isso que eu quero para o meu ano, certo? Felicidade e equilíbrio, aprendizagem e crescimento. A minha lista de livros para o novo ano tem exactamente de reflectir essa minha escolha de objectivos. 

Women Who Run With The Wolves, Clarissa Pinkola Estes
Neste livro, que nos fala de mulheres conscientes do seu poder e da sua força, mulheres livres, mulheres confiantes, fazemos uma viagem ao longo dos séculos, que nos mostra a forma como a sociedade, maioritariamente dominada por homens, condiciona e reprime a beleza de ser mulher. Quantas vezes somos inferiorizadas? Quantas vezes somos trocadas por homens, supostamente mais capazes? Este ano, um dos meus objectivos é também conectar-me mais comigo mesma e isso inclui conectar-me com o meu poder enquanto mulher, com as inifinitas possibilidades que isso traz ao meu ser e ao mundo. Através destas histórias sobre wild women, espero também eu ganhar consciência da minha capacidade de o ser.

{ Imagem retirada daqui }

Yoga-me, Filipa Veiga
A minha prática de yoga tem, desde meados de Março de 2016, sido uma montanha russa. Pratico muito menos e, quando o faço, sinto-me menos dedicada ao momento. Estar ali, no tapete, é mais um sacrifício do que propriamente uma aprendizagem e um avançar neste caminho que é o mundo do yoga. Sinto que, sobretudo, me falta inspiração. Hoje, este livro chegou a minha casa e eu pude, finalmente, experimentar novamente aquela sensação boa de chegar ao tapete, de saber que é o momento de estar comigo própria, descobrindo-me. Constatei novamente que não há nada melhor para me sentir capaz de voltar à prática do que uma yogini que eu admiro. Yogini esta que é também jornalista. Uma combinação perfeita. A Filipa Veiga trocou o ballet pelo yoga, Portugal por Bali e uma vida de jornalista pela serenidade de ensinar aos outros a calma que ela própria transpira. Já tive oportunidade de aprender com ela muito sobre aquilo que é ser jornalista e inspirar através das palavras, quando trabalhámos juntas para o Yogi Times. Agora, é a vez de descobrir com ela os segredos desta forma linda de viver - o Yoga. O livro reúne a história desta prática universal e da prática da Filipa, bem como um conjunto de sequências de yoga que podemos experimentar e um receitas nutritivas para fazer bem ao nosso corpo.

{ Imagem retirada daqui }

Sparkle Joy, Marie Kondo
Okay, a culpada de este livro estar na minha lista é a Mariana. No dia em que me encontrei com ela (e com aquele chá delicioso!), no Porto, falámos da Marie Kondo e das suas técnicas para libertar espaço nas nossas vidas para o que realmente interessa. Deixou-me logo curiosa. Quem me conhece, sabe que destralhar é uma das minhas palavras preferidas e o minimalismo é um dos valores base para a minha vida, que, embora nem sempre seja fácil de seguir, orienta-me o caminho. Para quê atafulhar a nossa vida de coisas, certo? Depois de estarmos juntas, li esta publicação no Chá&Girassóis e tornou-se óbvio para mim que o livro da Marie Kondo teria de ir obrigatoriamente para a minha lista de livros a ler em 2017. Ora digam lá que não é de querer ler: "destralhar tendo por base a alegria que as coisas nos transmitem", como escreve a Mariana, é a ideia princial do livro. Pensem só nas mudanças positivas que iam acontecer na nossa vida! (Querem saber o que é isto da arte de destralhar a casa e o coração? Em breve falar-vos-ei sobre o assunto aqui no blogue.)

{ Imagem retirada daqui }
Para mim, estes livros reflectem exactamente aquilo que eu quero atingir este ano. Não há espaço, em 2017, para que a negatividade retire a possibilidade de conseguir o que quero!

E por aí? Quais são os livros que não podem mesmo deixar de ler este ano?

Com amor, 
Joana

Mariana Neves ~ Other Voices

Há uns tempos atrás, fiz uma lista das minhas mulheres-ídolo: aquelas que me inspiram, que me dão vontade de correr atrás dos meus objectivos e que me tornam uma pessoa melhor. Escrevi o nome da Mariana logo na primeira linha, com uma letra bonita, e desenhei um girassol ao seu lado. Não sei há quantos anos a Mariana entrou na minha vida, mas sei que, quando isso aconteceu, trouxe o sol com ela. Entrega sorrisos e distribui abraços sem pedir nada em troca e, dentro do seu coração, cabe o mundo inteiro, mesmo que o mundo inteiro ainda não o saiba. As vinte e quatro horas do dia são divididas entre a psicomotricidade, o Projecto Cartas Cruzadas, o chá, o seu blogue e, claro, as pessoas que lhe aquecem a alma. Pelo meio, ainda há tempo para amar a mãe natureza e partilhar todo o seu conhecimento com os que a rodeiam. É perita em juntar pessoas: por causa dela, também eu tenho uma coach fantástica, um bando de pessoas lindas com quem troco cartas à moda antiga e sei, com toda a certeza, que divido este Planeta Azul com corações bons. Como o dela. Ela é a primeira a ser entrevistada para a nova rubrica do blogue, Other Voices. Não podia ser de outra maneira.

Chá & Girassóis

→ O que te levou a começar este blogue?
A história deste blogue começa em 2010. Na altura eu tinha um blogue chamado “O (secreto) Ritual” que foi o meu porto de abrigo durante toda a minha adolescência, escrevia lá sobre tudo: desilusões, conquistas, lágrimas e sorrisos. Até que chegou a uma altura em que apesar de ainda continuar a amar esse blogue tinha que seguir em frente, já não me identificava com esse estilo de escrita e na verdade não me queria expor assim tanto. Daí cresceu o Chá & Girassóis. O blogue que me acompanha na minha entrada do mundo adulto.

→ O blogue tem vindo a alterar-se ao longo do tempo. Essa alteração acompanha o teu crescimento pessoal? Se sim, de que forma?
Claro que sim! Sinto que o meu blogue é um reflexo de mim mesma, por isso enquanto eu mudo, ele muda também. Ele é o meu porto de abrigo, por isso está sempre ajustado aquilo que mais gosto e que mais me completa. E claro isso não é o mesmo que era há uns anos atrás.

→ No entanto, há sempre uma base de temas: a vida saudável, o amor pela natureza e pelas pequenas maravilhas da vida. Acredito que seja uma descoberta constante. Planeias as tuas publicações ou deixas que a inspiração te chegue e escreves nesse momento?
Vou ser sincera, Joana, há publicações que são programadas, por exemplo coisas mais objetivas, por exemplo post sobre organização ou sobre produtos de cosmética natural. Mas depois há post que simplesmente me apetece escrever e escrevo. Fácil. Há uma linha orientadora nos post (até para o blogue não ficar uma confusão) mas há também muita flexibilidade.

→ O que significa para ti o teu blogue?
O meu blogue, como já disse, é o meu porto de abrigo. O meu reflexo das mudanças que vou criando na minha vida, os desafios que vou lançando, as vezes que caio, as saudades que sinto. Uma vez disse que o meu blogue é a minha casa virtual e tudo o que eu espero é que quem o leia sinta também isso: sou eu, a minha vida e tudo o que ela contém (ou quase tudo).

→ Que surpresas para 2017 estás a preparar para os teus leitores?
O único compromisso que quis estabelecer para 2017 foi escrever mais, estar mais presente no blogue. O resto, sem expectativa.


A Blogoesfera

→ Quais são os blogues sem os quais não podes viver?
Pergunta muito, muito, difícil. E eu não sei responder. Eu sigo sensivelmente 100 blogues (e isto é uma lista muito selecionada, acredita). Recorro a vários tipos consoante o que quero ler. Sigo muitos blogues sobre culinária vegetariana, minimalismo e blogues pessoais. Não te consigo dizer os blogues sem os quais não consigo viver, gosto muito de blogues autênticos e acolhedores.

→ Que conselhos darias a alguém que estivesse, neste momento, a começar um blogue?
Façam-no com o coração. Não pensem em lucros, em seguidores, o que quer que seja. Escrevam de coração aberto e mesmo que ninguém comente, que ninguém saiba, façam-no por vocês. Tornem o vosso blogue aquilo que vocês sonharam para ele. Não desistam e peçam ajuda se precisarem. Mas o mais importante é mesmo: escrevam com o coração. O resto vem sempre por acréscimo (na minha opinião).

→ Num mundo em que todos nós estamos online, como estabeleces a fronteira entre aquilo que é a tua vida pessoal e a tua vida pública?
Fácil. Só publico coisas que não me importo que os meus vizinhos ou os meus familiares mais afastados saibam. Se estiver confortável para qualquer pessoa ler, publico. Se não, guardo para mim mesma.

→ E como é que te desligas, nos momentos em que precisas de silêncio?
Joana! Essa pergunta é demasiado óbvia: com uma chávena de chá, claro!!


Projecto Cartas Cruzadas

→ És uma pessoa cheia de ideias. De onde veio a inspiração para começar este projecto?
Veio pela paixão de escrever cartas e de acreditar mesmo que uma palavra bonita salva o dia de alguém (como já salvou tantas vezes os meus dias). Sempre fui conectada às palavras, as cartas são o meu meio favorito para espalhar felicidade. Então pus mãos à obra (sem imaginar que isto viria a ser) e cá estou eu, cinco anos depois ainda a escrever cartas.

→ Tens ideia de quantas cartas já enviaste?
Ao todo? Tenho quase a certeza que já cheguei às mil. Mas pelo menos, posso dizer-te que neste momento, já mandei para 300 pessoas diferentes. Números bonitos, pois são?

→ Qual é o teu sítio preferido para escrever cartas? E a banda sonora?
O meu sítio favorito é o meu quarto porque tenho uma vista linda da janela, mas também gosto de escrever em cafés! Gosto muito de escrever acompanhada. A banda sonora são músicas calminhas (aliás criei uma playlist no spotify é só pesquisarem “cartas cruzadas”) neste momento escrevo com instrumentais de piano da Disney, músicas calmas e felizes.

→ Qual foi a carta que mais gostaste de escrever?
Não sei, tenho muitas cartas favoritas. Gosto muito de escrever cartas para pessoas que adoro e mais uma vez: com o coração aberto. Já escrevi cartas a rir de felicidade e a chorar. Essas cartas são as minhas favoritas porque sei que foram para as pessoas certas.


→ E a que mais gostaste de receber?
Já recebi cartas muito bonitas, mesmo. Mas a que mais me tocou até agora, foi uma que recebi no dia do funeral da minha avó. Sem saber a pessoa (que infelizmente já perdi o contacto) mandou-me uma carta com umas bolachinhas que ela tinha feito. Abri a carta depois do funeral, sem coração no peito e com a cara cheia de lágrimas. Aquela bolacha aconchegou-me tanto o coração que nunca me vou esquecer dessa sensação. (A pessoa não sabia que a minha avó tinha morrido, foi mesmo coincidência).

→ Colocas sempre muito de ti neste projecto: decoras as cartas que escreves, escreves à mão, tentas fazer com que quem recebe essa carta se encha de felicidade. Resulta?
Diz-me tu, que já recebeste cartas minhas: resulta?

→ O que é que já aprendeste com este projecto?
Aprendi coisas boas e coisas más. Das coisas boas: vale tudo a pena por um sorriso. E podes fazer a diferença na vida de alguém por muito pouco, basta estares presente, atenta e com boa vontade. Das coisas más: nem toda a gente sabe manter um compromisso e existem pessoas demasiado sozinhas neste mundo. (E muitas vezes quem me dera poder ter duplas minhas para andar por aí a abraçar as pessoas que me contactam porque se sentem sozinhas, ninguém deveria sentir-se assim num mundo tão cheio)

→ Até onde é que o queres levar?
Até onde ele me quiser levar. Sem expectativas mas com muitos sonhos. Nunca pensei estar aqui agora, já fui entrevistada por três jornais e uma revista, dá para acreditar?! Onde o projecto me quiser levar, eu vou com ele, sem o largar.


O Minimalismo

→ És uma apaixonada por uma vida com menos ruído, menos tralha e mais espaço para o que realmente importa. Quando é que começou esta caminhada?
Algures no meu segundo ano da faculdade quando comecei a ler o blog da Rita “The busy Woman and The Stripy Cat” e aquilo do minimalismo, proactividade e organização fez-me totalmente sentido. Na altura, estava na faculdade, fazia voluntariado, aulas de yoga, estágio, tinha o projecto, e fazia parte da secção de estudantes. Muitas das vezes estava cheia de coisas para fazer, sem tempo. O minimalismo ajudou-me a manter todas essas atividades sem me sentir apertada de tempo. E a partir daí é uma caminhada que nunca descorei.

→ Quais foram as maiores mudanças desde que começaste a viver uma vida mais minimalista?
Comecei a olhar melhor para o que me rodeia e a selecionar aquilo que entra na minha vida. Comecei a repensar em que é que vou gastar as minhas energias. Percebes? A tomar decisões mais conscientes. E a definir prioridades, na vida emocional, profissional, económica.

→ Qual é o maior ensinamento que daqui retiras?
Menos é mais. Sem dúvida, e isto em relação a tanta coisa! A coisas materiais, a momentos sociais, a pessoas. Como disse em cima, a partir do momento que só selecionas o que te faz sentir bem, há muita coisa que tens que largar e às vezes pode custar, mas no fundo é mesmo mais benéfico. Acredita. Dizer “não” é libertador.

→ O que ainda te falta largar?
Uma das coisas que quero mesmo largar é o telemóvel à noite. Tenho o péssimo hábito de ir para a cama com o telemóvel e adormecer com ele ao meu lado (sim, eu sei é péssimo!). Essa é uma das mil coisas que me faltam largar. Mas de momento é a minha prioridade. Ainda me falta largar muita coisa, mas assim que me fizer sentido, sei que vou dar mais passos. O que é importante é as coisas fazerem-te sentido e quiseres lutar por elas.


O Chá

→ Quem te conhece ou te segue de alguma forma sabe que onde está a Mariana está uma chávena de chá. De onde vem este amor?
A minha avó. Ela tinha um chá para cada ocasião e eu herdei isso dela. Apaixonei-me pelo chá e nunca mais o larguei.

→ Até criaste um grupo no Facebook para os amantes de chá e puseste tanta gente, eu incluída, a trocar saquinhos cheirosos por esse mundo fora. Qual é o teu sítio preferido para beber chá?
A minha casa! Tenho uma colecção muito grande chás por isso tenho mais chás que a maior parte das casas de chá. Ir para o meu jardim ou para a minha cama beber chá é fantástico e tão acolhedor.

→ E o teu chá preferido?
Chá branco. Pelo que simboliza e pela sua leveza.


A Mariana

→ Quais são os teus maiores objectivos e projectos para este ano?
Quero que o Projecto Cartas Cruzadas chegue mais longe, quero chegar mais longe em tudo o que já me propus na minha vida. Quero viajar mais, sorrir mais, viver mais. Carpe Diem. 

→ E os teus maiores sonhos?
De sempre? Escrever um livro (ou mais), ter uma vida tão bonita como a dos meus pais, viajar pelo mundo, ir a um concerto da Tracy Chapman, ir à Disney! E ter uma vida repleta de saúde, amor e partilha. Este é o meu maior sonho porque sei que se tiver isto tudo vem de acréscimo.

→ Se tivesses de descrever a Mariana a alguém, como o farias?
A Mariana é uma pessoa muito sorridente, que acredita no melhor do mundo. Não tem medo de elogiar, abraçar estranhos e de “conversas difíceis”. Saudade é o nome do meio e “coração de manteiga” é nome de família. Sonha muito, acordada e a dormir. Acredita que “quem quer faz, quem não quer arranja desculpas”, é exigente com ela própria e determinada no que acredita. Adora estar rodeada de pessoas e tem a sorte de conhecer as melhores pessoas do mundo (que são os melhores amigos). Recebe amor diariamente e espalha-o pelo mundo sempre que pode.

→ És uma pessoa de pessoas, unes toda a gente à tua volta, pouco importando a quantos quilómetros as pessoas se encontram. Qual foi a maior ensinamento que todas estas pessoas que se cruzam contigo e com os teus projectos te deram?
Nada acontece por acaso. Se certa pessoa entrou na minha vida, é porque tem qualquer coisa a ensinar-me e eu tento absorver tudo, viver tudo. E o outro ensinamento foi “faz o bem e o resto vem”. Tenho a minha vida preenchida de pessoas maravilhosas e não existem palavras para exprimir o quão grata estou por isso. Obrigada a ti Joana, por estares nela e por seres tão bonita!



Obrigada a ti também, Mariana!

Com amor, 
Joana